Minhas raízes

Minhas raízes
Uruguaiana

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Naqueles Tempos

Ande pensando na vida e nas voltas que ela dá.
E as diferenças que existem, nos meus tempos de piá.
O guri daqueles tempos, não tinha paz nem sossêgo.
Nos meus tempos, só o galpão e uma cama de pelegos.

A gurizada de hoje,não se pode surrar mais.
O Conselho Tutelar, tirou o lugar dos pais.
Quem se criou em estâncias, trabalhou sem ganhar nada.
Era assim naqueles tempos, pra ensinar a gurizada.

O guri daqueles tempos, só tinha que trabalhar.
Aprender a ser campeiro, sem direito a estudar.
Levantava bem cedinho, pra buscar a recorrida.
Trazer as vacas de leite, e se preparar para a lida.

O guri daqueles tempos, tinha talento e respeito.
Tenho orgulho em ter sido, criado assim desse jeito.
Sou velho com muito orgulho, fui um guri do passado.
E graças aqueles tempos, tornei-me um homem honrado.

Outros tempos

Sim, outros tempos. Nos meus tempos, que já vão longe, os anos, os meses, as semanas, os dias, as horas, os mimutos, levavam uma eternidade para passar. Não existia nada, mas nada mesmo, que pudesse distrair um cristão, a não ser o serviço, dormia-se cedo e levantava-se cedo, mas muito cedo mesmo. Não existia rádio, televisão, telefone, as notíciais a gente só ficava sabendo semanas depois ou mesese depois, quando chegava um andante, que bem informado tornava-se a atenção de todos do lugar. A beira de um fogo no inverno ou na sombra acolhedora de paraíso, todos o cercavam para saber das novidades do que ocorria em outras localidades ou cidades. Assim eram os outros tempos, dificeis, complicados, penosos as vezes, mas tranquilos, sem o que vemos e ouvimos no dia a dia de hoje. Pois é, mas tudo mudou e tinha que mudar. Só que essa mudança veio com violência, desrespeito, insegurança, fragilidade da família, desintegração social, enfim a humildade, o desconhecimento de muitas coisas, foram trocadas pelo progresso, que junto carregou todos os nossos problemas e complicações sociais com qual nos deparamos nos dias de hoje. Quando vejo que meus netos e tataranetos terão sérios problemas ambientais no futuro, me pergunto, será que valeu a pena toda essa parafernália tecnológica que nós é oferecida nos dias de hoje, se logo ali teremos problemas insolúveis com a natureza? Não sei e sinceramente, nao saberia analisar por esse lado, o que sei e tenho certeza é que não estarei mais por aqui quando isso acontecer, mas que também tenho certeza que se pudesse e tivesse ao meu alcance eu tudo faria para que o futuro não fosse tão assustador como divulgas boletins e informações de órgãos que estão atentos para essa mudanças.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A PESCARIA

Quem nao gosta de pescar? É claro que nesta época, poucos se arriscam a essa atividade, mas quem pesca sabe como é gostoso um pesqueiro no inverno. Fogo grande, saindo uma fumacinha da água, as linhas correndo ou beliscando, são coisas que fazem parte da atração do pescador na tarefa de enganar o peixe ou ser por ele enganado. A pescaria de hoje, aconteceu já faz alguns anos, ou melhor muitos anos, mas em toda pescaria sempre tem um história, termina a canha, molha os fósforos, falta cigarro aos fumantes, chove e molhas as cobertas, enfim sempre acontece uma porção de fatos que quando contados, sempre são caracterizados como mentira de pescador. Mas na maioria das vezes os fatos acontecem mesmo. Lá pelos anos 70 e poucos, eu servia como sempre fiz durante todo o meu tempo de milico no 2º. Regimento o Heróico. O meu colega 3º. Sgtº. Chapa que não era o seu nome e sim o apelido, porque em quartel é muito difícil ser chamado pelo nome, todos inclusive os oficiais têm apelido, mesmo que estes sejam chamados pelo apelido, sempre na sombra, pelas suas costas, etc... e tal. Bem o Chapa, não era os chapas de hoje que fazem plantão para descarregarem caminhões, esse era chapa porque trabalhava nas oficinas e sua funçao era chapear os carros batidos pelas barbereadas do motoristas feito a facão daquela época. Bem o Chapa, fazia parte de um grupo de pescaria, grupo este composto por 6 colegas, dois tomavam conta do acampamento, dois pescadores e dois encarregado de caçar alguma coisa para a bóia. Nosso grupo levava todos os ingredientes para a comida. Numa dessas pescarias, eu fiz na primeira noite um carreteiro campeiro, chegamos muito tarde, não deu pra caçar nada. O Chapa que ajudou a montar o acampamento, procurou um pesqueiro e ficou por ali dando boia pros mosquitos. A noite chegou, eu aprontei a comida e gritei pra ele: Tche Chapa a bóia tá pronta. Ele respondeu de onde estava: Tche, agora começou a dar uma beliscada nas linhas, bota a bóia na minha marmita e deixa que depois eu como. Como bom parceiro, tirei o carreteiro quente, coloquei na marmita de alúminio e levei pra ele. Disse-me deixa ai que eu já vou comer to loco de fome. Larguei a marmita e voltei ao acampamento. Passou uns 15 minutos, o Chapa gritou de lá: Tche mas como tá boa essa perdiz. Eu que tinha cozinhado, extranhei o comentário. Gritei, tche Chapa mas que perdiz tu tá falando, se nós não demos um tiro hoje. Ele respondeu, mas o que foi que eu comi então? Peguei uma lanterna e fui lá ver o que ele tinha comido. Chegando lá conferimos e custamos entender o que ele tinha comido. Após uma investigação rigorosa, descobrimos o que aconteceu. Eu larguei a marmita com o carreteiro quente, certamente o cheiro atraiu uma perereca que saltou em cima da comida e morreu queimada. Ele no escuro, pensando que era um perdiz, comeu até os ossos do bichinho. O único comentário dele tranquilo, foi: Tche agora não adianta reclamar, mas que tava boa, tava.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Velório da Cruz

Pois é, lá no Plano Alto onde eu nasci a poucos anos, existia o velório da cruz. E aqui onde resido hoje, Sant"Ana do Livramento, quando conto nas rodas de amigos os velórios de cruz que participei, ninguém acredita, dizem, lá vem o Medeiros com suas mentiras.
Mas a realidade é que realmente existia e eu participei de muitos, são usos e costumes de cada região, que as vezes quando contamos, parece mentira mas não é.
É lá no Plano Alto, quando morria um vivente, ele era velado primeiro sem o caixão, o caixão só depois que o Ferreiro Aristides Sigaran fazia de tábua bruta, mas bem feito, bem lixado e se a familia do morto tinha alguns pilas sobrando, vinha inclusive invernizado. Enquanto era feito o caixão na ferraria, o morto era colocado em cima de uma mesa, tapado com um lençol ou pano branco com quatro velas acesas em cada canto da mesa. O velório corria tranquilo para os amigos que aproveitavam o ato para churrasquear ( comer uma carne assada ), botar as fofocas em dia, tomar um cafezinho com bolo frito ou bolacha, e nas entrelinhas, tomar um bom trago de canha, porque a branquinha, as vezes faltava o defunto mas a canha não, essa era presença obrigatória em eventos dessa natureza. Chegava o caixão, era feita a transferência do corpo, da mesa , para dentro do mesmo e a prosa corria flouxa entre os presente. Decorridos os trâmites regulamentares, o dito cujo era enterrado e todos os presentes e os que por um motivo ou outro nao puderam comparecer no velório, se preparavam para o '' velório da cruz '' que geralmente ocorria 30 dias após o falecimento e enterro do morto. A justificativa para tal ato, era que o ferreiro Aristides que se transvestia de carpinteiro para fazer o caixão, passava a desempenhar a sua real função. E como tal, fazia a cruz de ferro, que nao era aquela decoração que geralmente os Generais ganham por atos de bravura, essa era uma cruz que após velada durante uma noite inteira, no outro dia era levada com muito respeito para a sepultura do morto, onde a partir daí, serviria para identificar quem e quando tinha morrido o vivente. O Plano Alto, que é uma vila e fica no muncípio de Uruguaiana, distante 70 kms da cidade, quando morria alguém, era um acontecimento que movimentava os moradores da vila. Geralmente naquela época os mortos não eram como hoje, que o vivente morre e logo desancam o defunto colocando todos os seus defeitos para conhecimento de todos, naquele então, os mortos eram tratados com muito respeito. Esse era um dos motivos, que o velório da cruz era muito esperado. Além de servir para ratificar as qualidades do morto, servia ainda para um encontro entre os amigos e vizinhos, regado com as mesmas iguarias do velório propriamente dito. Portanto, sugiro que os jovens perguntem a seus familiares mais velhos, que com certeza eles terão histórias e fatos que divergem de região para região e que poderão serem utilizadas em trabalhos literários de conhecimento histórico para quem interessar possa.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

GM

Foi realmente assustador o anucio da concordata da maior fabrica de automóveis do mundo, a GM. Felizmente para o Brasil, segundo os diretores dessas montadoras aqui não aconterá nada, pelo contrário elas crescerão.
Esse fato, me veio a memória um fato acontecido enusitado, acontecido la pelos anos 88.
Nessa época eu era 1º. Sargento e servia no 2º. Regimento de Polícia Montada em Livramento, nesse dia estava de chefe da ronda, minha responsabilidade era das 03:00 as 06:00. Fazia um friou de renguia cusco, caia uma geada muito grande.
Assumi meu posto e resolvi dar uma volta nos postos que faziam a segurança no quartel,
Após ver que tudo corria bem, me dirigi para as baias, onde sempre tinha uma lareira com fogo grande e acolhedor na madrugada gelada.
La chegando, me deparei com o cavalariça, o sd que fazia o pernoite naquela área, sentado na beira do fogo, acordado.
Disse-me que tinha perdido o sono e tava fazendo um tempo por ali.
Começamos a conversar, quando ele me disse muito contente que tinha comprado um carro.
Minha alegria foi automática, lhe parabenizei pela iniciativa, pois logo ele seria reformado e teria um meio de transporte para passear com sua familia.
Perguntei-lhe que tal era o carro e que marca.
Disse que tudo esta nos conformes, era fusca, carro econômico e resistente.
Não satisfeito, voltei a fazer-lhe uma série de perguntas, tais como:
Como estava de pintura, pneus, documentaçao, lataria, parte elétrica, enfim perguntas rotineiras que sempre se faz não pela curiosidade, mas sim querendo dar um apoio para o subordinado tivesse feito um bom negócio.
Respondeu-me, que tudo estava bem, a pintura, tinha inclusive as notas, os papéis tudo em dia, estofamento novo, veio inclusive com o tanque cheio.
Satisfeito com as respostas e já convicto que o rapaz tinha feito um bom negócio, lhe desejei muito sucesso com o carro e resolvi dar mais uma volta para ver como estava o serviço.
Quando cheguei a porta, lembrei me de fazer a última perguna para certificar -me que tudo estava bem como o carro do soldado.
Lasquei preocupado.
Tche compenheiro pelo que vejo o teu carro está stander, só falta me dizer como esta de motor, está funcionando bem ?
O que ele respondeu prontamente:
Olha Sargento motor sim não tem, tá faltando.
Simplesmente virei as constas e fui fazer a minha obrigação.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Prost

Esqueces tuas mazelas
Esqueces tuas tristezas
Esqueces teus sofrimentos
Esqueces que por momentos

Sacias sem ter prazeres
Pra ganhar alguns trocados
Em berços de relva úmida
Nas praças, que são teu lar

Eu quero te amar
Aninha-te, nos meus braços
Esqueces os teus fracassos.

Eu, te darei o perdão
Vou acolher-te sorrindo
Esquecer os teus defeitos
Vou te dar meu coração

* Classificada no 1º. concurso ''Transportando Emoções''
organizado pela AJEB ( Ass. de Jornalistas e Escritoras do Brasil )
Publicado na Agenda VirArte 2007

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Uma Tragédia

Ainda estamos consternados com o acidente que vitimou dois coronéis e um soldado da Brigada Militar do Estado no alvorecer de um dia que ficará marcado para nos Brigadianos ,em Caçapava do Sul. Nossa familia e as familias dos demais motoristas do 2º. Regimento de Policia Montada sediado em Santana do Livramento, passaram muito próximo desse acontecimento. A vitima entre eles foi o Sd Adolfo, mas poderia ser qualquer um dos motorista dessa Unidade e entre eles meu filho que desempenha a mesma funçao. Achar culpados nesse momento, seria uma falta de consideração a todos eles, não só ao motorista como aos dois oficiais supereriores que foram vitimados nesse acidente. Mas penso que seria um momento propício para os motoristas se unirem e juntamente com os seus superiores, tirarem lições desse trágico acontecimento. Repensar, horários de viagens, intervalos necessários para um descanso reparador e seguro para sairem para enfrentar longas viagens. Creio que essa seria a medida mais certa para a segurança de todos e a tranquilidade de nós pais, que a cada viagem, ficamos nas expectativa dos horários de chegada e retorno de nossos entes queridos